A poesia é o presente que se rejeita: o cavalo à porta de Tróia. Uma insatisfação e uma persistência. Só a insatisfação e a persistência mudam. O que é a palavra senão uma palavra que quer ser outra.
E é o começo. A poesia liberta a liberdade. Todos são poetas até o dia em que esbarram na palavra: o limite que recria o que cria. Às vezes é bela, às vezes reprime, mutila, humilha, nos deixa criança ou velho, que é quase a mesma coisa. A poesia nos ensina que a primeira vontade é a de desistir.
Assim é. É a vela fora da nau, da caravela, fora do caminho, fora do ninho, fora do que é.
O texto é um acenar com tintas, e o que está do lado de dentro, é o que começaste a ler.
Benilton L Cruz
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