"MORRE JOVEM O QUE OS DEUSES AMAM" A morte prematura do poeta Mário de Sá-Carneiro inspirou Fernando Pessoa a escrever um dos mais belos texto sobre a sensação de perder um ente querido em plena juventude. Meu irmão caçula, o mais belo e o mais frágil, de nossos irmãos também nos deixou em plena juventude. Todo segundo dia de cada mês o coração não deixa esquecer seus olhos de um céu sereno (como se ele apenas estivesse viajando e ainda fosse possível retornar para casa). Todo segundo dia de cada mês recordamos que ele está muito presente: seja na fila da padaria, seja na rua, quando nos deparamos com alguém muito parecido com ele, seja em nossa recordação do dia a dia. Meu pequeno irmão, nunca esqueceremos de você. Como eu gostaria de lhe dizer pessoalmente: volte logo dessa viagem e me dê um abraço. Como eu gostaria de terminar aquela partida de xadrez, aquela que você levava pequena (e crucial) vantagem. Como eu gostaria de lhe recitar, pessoalmente, aquele po...
É a pergunta que pretendo responder. Vamos começar com a ordem de criação de algo fundamental ao pensamento: o desenho do som inteligível e ordenado, as letras, essas mesmas que unidas formam sílabas e palavras. E se considero a ordem histórica dos alfabetos criados pelos grandes decifradores: Thot ou Hermes Trimesgistos, Enoque, Cadmos e Palamedes tenho a resposta na devida sequência: contemplação do universo, a sabedoria dos mistérios, as letras divinas, a comunicação entre os povos e a estratégia e a razão. No fundo, cada decifrador se preocupou com a essência espiritual de seu povo. Observem Thot ou Hermes Três vezes Mestre, ocupado em entender o lugar do homem no cosmo; atinem a Enoque, aquele que andou com Deus, não morreu e foi arrebatado, e se ateve à sabedoria dos mistérios gravadas nas letras divinas do hebraico; pensem em Cadmos, comerciante e navegador, preocupado com uma linguagem universal entre os povos; - e, por fim, Palamedes, arauto do Logos racional, estratégico e ci...