Sim, existiu essa interpretação do Orfeu-Xamã e está em Belém do Pará, no final dos anos de 1950, através da mística e misteriosa poesia de Paulo Plínio Abreu. Ele foi professor do Curso de Humanides, nos alvores da fundação da Universidade Federal do Pará. Escreveu sob forte inluência de Rilke, o poeta "europeu" se pode assim dizer e que escreveu em alemão, idioma do país envolvido diretamente entre duas grandes guerras. O mito de Orfeu traduz a poética de um "deus cantor", como haveria de lembrar o autor do Livro das Horas, tendo alguns poemas traduzidos por Paulo Plínio Abreu. E uma virtuosa intertextualidade se abre entre Rilke e o poeta paraense. A anímica linguagem se revela através de uma metafísico "reino" - que lugar seria esse? que fonte? “Com as palavras que hoje restam da infância edificarei meu reino e nele estrelas cairão de noites puras. de corações mais puros tombararão as águas em que os animais virão matar a sede” Paulo Plínio Abreu – O...
Os deuses vikings moravam em Asgard, um lugar no topo de Yggdrasil, a Árvore que sustenta os nove mundos. Nesta árvore, o deus Odin conheceu a sua maior provação e descobriu o mistério da sabedoria: as Runas. "Sei que fiquei pendurado naquela árvore fustigada pelo vento, Lá balancei por nove longas noites, Ferido por minha própria lâmina, sacrificado a Odin, Eu em oferenda a mim mesmo: Amarrado à árvore De raízes desconhecidas. Ninguém me deu pão, Ninguém me deu de beber. Meus olhos se voltaram para as mais entranháveis profundezas, Até que vi as Runas. Com um grito ensurdecedor peguei-as, E, então, tão fraco estava que caí. Ganhei bem-estar E sabedoria também. Uma palavra, e depois a seguinte, conduziram-me à terceira, De um feito para outro feito."