Ele fez uma boneca falar, um sabugo de milho um sábio, um par de crianças aventureiras e sempre curiosas e fez de uma senhora, uma dona Benta, uma professora, e o Sítio do Pica Pau Amarelo um modelo de escola para o Brasil. Era um visionário. Montou uma editora e vendia livros até em supermercados; investiu na Revista do Brasil na qual escrevia o paraense Inglês de Sousa que haveria de cunhar o termo "Modernismo" à arte do seu sobrinho Oswald de Andrade; escreveu um romance no qual previa um presidente negro nos EUA (só errou a data, mas isso é querer demais...) Seu nome: Monteiro Lobato. 18.04.2026
À ponta do poema está a letra, a caneta, o teu nome esparso, cheio de curvas e entrelinhas. À ponta do poema está a memória derramada entre o copo e a taça, o rubro vinho que me demora o fado, o grão-pará recordo e a lusa história. À ponta do poema lanço o dado de Mallarmé e a sorte que não pode abolir o azar. À ponta do poema qualquer reinício bárbaro entre a vida e a morte: o beijo na morna xícara ou o último lúme do cigarro. À ponta do poema a lua que na janela jaz fria e luminosa como um mármore do meu e teu antepassados. À ponta do poema o rio que atravesso, o Mondego, como uma avenida abraçando águas e gentes. À ponta do poema as folhas espalhadas pela tarde entre Aveiro, Matosinhos, Porto, Coimbra, Lisboa, Belém e um bairro do Marco. À ponta do poema o último laço da palavra que aprisiona e liberta a alada e casta, escorpiniana, sagitariana, virginiana e andarilha casa. Benilton L. Cruz, para a Lygia.