O fogo ascende, é leve - e queima - foi feito para as alturas; a terra é dura, fixa-nos e alimenta-nos da seiva e da verde linguagem da natureza, a que pacifica e espiritualiza; a água flui, não conhece obstáculos, fertiliza ao mesmo tempo que evapora, e no ar conhece a mensagem dos deuses - amar - esse sopro criador de humanidade, a crença e a coragem, no vazio, o quinto e último elemento. Benilton Cruz
SOB O LUAR DE AGOSTO Já anoitece sobre a cidade. Unem-se as sombras, mas A luz ficou contigo. No ar, teu nome, Vaga, canta e novamente cala: É a água do rio que passa E nada fica e a lua está só, comigo. Sua pele tem o tom Da aurora quando raia O adormecido tigre Que de teus olhos tem o mel da tarde a fonte da memória ou a música, talvez, a mesma coisa. “Quisera ser a noite para te amar no escuro Quisera ser teu primo para te amar desde a infância” (Confesso que roubei estes versos de Apollinaire) e que você me deixa atordoado como uma criança. (Benilton Cruz)