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QUEM FOI ACADEMUS, O HERÓI GREGO QUE DEU ORIGEM AO NOME "ACADEMIA"?





Nome não surge por acaso, cada denominação carrega sua história, sua poética e sua mitologia o que na verdade pode ser a mesma coisa. 

Cada nome é um enigma.  

Academus, Akademos, Hekademos ou Hecademus, foi um herói ático que, quando Castor e Pólux invadiram a Ática para libertar sua irmã Helena, revelou-lhes que ela estava escondida em Afidnas. 

Por essa razão, os Tindáridas (Castor e Pólux) sempre lhe demonstraram muita gratidão, e sempre que os lacedemônios (antigos espartanos) invadiam a Ática, poupavam as terras pertencentes a Academos, que ficavam às margens do rio Cefiso, a seis estádios de Atenas. (Plut. Tess. 32; DL 3.1.9).

Academus matinha um plantação de oliveiras, e em sua honra, Platão e seus discípulos assim também honraram seu nome.

Este terreno foi adornado novamente com plantações de oliveiras (Plut. Cim. 13) e foi chamado de Academia em homenagem ao seu proprietário original.

Esse relato está na obra de Plutarco, um dos mais importantes historiadores da Antiguidade, conhecido por escrever sobre biografias e compará-las, como em sua obra "Vidas Paralelas".

A história de Academus tem, como qualquer relato mítico, outras versões.

Uma dessas variações do mito diz que Menesteu, filho de Peteu, neto de Orneu e bisneto de Erecteu, o primeiro dos homens, como se costuma dizer, a buscar popularidade e a conquistar a simpatia da multidão, incitou e enfureceu os principais homens de Atenas. 

Estes há muito nutriam hostilidade contra Teseu e acreditavam que ele havia destituído cada um dos nobres rurais de seu cargo real, confinando-os a todos em uma única cidade, onde os tratava como súditos e escravos.

Menesteu também lançou seus insultos ao povo comum. Dizia que eles pensavam ter vislumbrado a liberdade, mas na realidade haviam sido roubados de seus lares e religiões natais para que, no lugar de muitos bons reis de seu próprio sangue, pudessem obedecer a um único senhor que era imigrante e estrangeiro.

Enquanto ele se ocupava com essas tarefas, os Tindáridas [os deuses gêmeos auxiliares Castor e Pólux, também conhecidos como Dióscuros] atacaram a cidade, e a guerra impulsionou ainda mais seus planos sediciosos; aliás, alguns autores afirmam categoricamente que ele persuadiu os invasores a virem.

A princípio, então, eles [Castor e Pólux] não fizeram mal algum, apenas exigiram a devolução de sua irmã [Helena]. Quando, porém, os habitantes da cidade responderam que não tinham a moça nem sabiam onde ela havia sido deixada, eles recorreram à guerra.

Mas, Academus que de alguma forma soubera de seu esconderijo em Aphidnae, contou-lhes sobre isso. Por essa razão, ele foi honrado em vida pelos Tindáridas, e muitas vezes depois, quando os lacedemônios [antigos espartanos] invadiram a Ática e devastaram toda a região ao redor, eles pouparam a Academia por causa de Academus .

Uma versão diferente vem de Dicaearco, que diz que Echedemus e Marathus da Arcádia estavam no exército dos Tindáridas naquela época, sendo que a atual Academia recebeu o nome de Echedemia em homenagem ao primeiro, e a cidade de Maratona em homenagem ao segundo, pois, de acordo com algum oráculo, ele se ofereceu voluntariamente para ser sacrificado diante da linha de batalha.

Então, eles foram a Afidnas, venceram uma batalha campal e tomaram a cidade de assalto. Dizem que, entre outros, Álico, filho de Círon, que na época fazia parte do exército dos Dióscuros, foi morto, e que em sua homenagem um lugar em Mégara, onde foi sepultado, recebeu o nome de Álico. Mas Hereas escreve que Álico foi morto em Afidnas pelo próprio Teseu, e cita como prova estes versículos sobre Álico:

Aquele a quem outrora, na planície de Afidnas, onde lutava, Teseu, raptor de Helena de belos cabelos, matou.

No entanto, é improvável que o próprio Teseu estivesse presente quando sua mãe e Afidnas foram capturadas.

Um recinto sombreado perto do rio Cefiso, cerca de um quilômetro e meio a noroeste de Atenas. Aqui Platão e seus discípulos ensinavam.   

É bem provável que Platão nomeou sua Academia em homenagem ao herói grego - e esta é a minha tese - por três motivos: 1. Ele falou a verdade; 2. Pela liberdade; 3. E pelo fato de não usar armas e sim estratégia, discernimento e conhecimento. 

E ainda ouso colocar um quarto motivo: ensinar junto às oliveiras (ao verde da natureza) estimula a decisões acertadas, a raciocínios rápidos e também assertivos - esse estimulante intelectual da natureza é amplamente reconhevido hoje pela ciência (algo que com certeza era sabido pelos antigos).


Nada de novo sob o sol.



Pesquisa e texto: Benilton Lobato Cruz, presidente da Academia Maçônica de Letras do Estado do Pará, membro da Academia Paraense de Letras, professor da UFRA.



Fontes: Atlas Mythica, Plutarco.

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