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07/01 DIA DO LEITOR E 09/01 UMA NOITE NO MUSEU NA ACADEMIA PARAENSE DE LETRAS

 





07/01

Dia do Leitor

 

Por Benilton Cruz

 

Selecionei alguns trechos dos autores da nossa Academia Paraense de Letras para celebrar o Dia do Leitor, afinal para o ato de escrever é preciso primordialmente a ação de ler. É uma inseparável interação – o ato de linguagem é social e evidentemente o texto é plural, se conecta, sempre foi um link para criar outro texto: toda leitura cria um segundo texto.

Como leitor, o segredo é simples, basta abrir um livro para se inspirar – bela palavra da língua portuguesa marcada pela essência da criação. O reino da liberdade se conquista com a leitura, é onde a imaginação se torna o lugar de acolhimento à desenvoltura e crescimento de toda humanidade, felicidade e civilização.

 

“Dia seguinte, aberto o porão, encontraram duzentos e cincoenta e dois mortos e somente quatro sobreviventes [...]. O quarto era o nosso Joãzito, que foi salvo pela força do amor.”

 

CAVALCANTE, Agildo Monteiro. Brigue Palhaço. 2ª Reimpressão. Homenagem aos 400 anos da Cidade de Belém-PA: 2016, p. 116-117.

 

 

"[...]

 

Eis que o personagem central

Desta brincadeira, O Bem-Te-Vi,

Apareceu num belo voo rasante,

Exibindo sua figura marcante: cabeça preta,

Pescoço branco, barriga e peitos amarelos,

Tons vivos que lhe dão uma coloração

Alegre e encantadora.

Altivo e bem-humorado,

Pronunciou-se:

 

Meus amigos,

Ouvi toda a conversa de vocês,

E estou aqui para eliminar suas dúvidas.

Sou um pássaro belo e charmoso,

Que a todos encanto, também

Conhecido como Pituã, Pitanguá ou Pitaguá,

Porém, meu nome está no meu canto!

 

Descobriram o verdadeiro 

Nome do Bem-Te-Vi?”

 

 


CRUZ JÚNIOR, Leonam Gondim da. O Nome do Bem-Te-Vi. Ilustração Mário Barata. Belém PA : Marques Editora, 2022.

 

ATÉ QUANDO

 

O inexato tempo

há de vir

e oscila provocado

o que sendo

de ausências e afagos,

de verdades e ilusões

na travessia ainda

o sol.

Vis à vis

a noite

- os sinos dobrado.

 

COUTINHO, Zenaldo. Essência e Margem. Edição do Autor

(Coleção de Poesias). Editora Acadêmicas das Letras, Belém: PA, 2022.

 

 

“Maria, por meio da instigação, do cuidado e da conciliação focou na necessidade de consenso para ajustar missão, valores, objetivos organizacionais e normas para a sua gestão, pois era necessária a padronização de uma nova cultura. Arrisco a dizer que tudo foi realizado com receios próprios do ser humano, mas com muita sabedoria, habilidades técnicas e competências que fazem a diferença dentro de de um contexto de mudança de modelo de gestão.”

 

ARROYO, Maria Betânia de Carvalho Fidalgo. Maria Maria (s): autoetnografia de uma mulher na gestão e na mudança de cultura organizacional. Unama: Belém, PA, 2024, p. 204.

 

“Ao ouvir o nome de Armando, Oregone levanta a cabeça e questiona:

- Seu filho está viajando a negócios?

-Sim, foi para a Rússia tentar a libertação de um cientista amigo de nossa família. Na verdade, será o seu futuro cunhado.

-Oregone se levanta, vai para um canto da sala e diz:

-É muita coincidência nesta vida.”

 

GUILHON, Claudio. Tempestade do Além. Editora Lugar Ao Sol, Belém: PA, 2023, p.328.

 

 

“Que este livro de partituras possa despertar a paixão e o amor seresteiro e póetico de muitos outros violonistas, através de melodias simples de um homem discreto e apaixonado. Que ele possa trazer de volta uma Belém de sonhos e de saudades perdidas no tempo”

 

HABIB, Salomão. Tó Teixeira: Violão Solo. Belém: Violões da Amazônia, 2013, p. 14.

 

“Numa noite em que o luar estava muito bonito, a moça chegou à beira de um lago, viu a lua refletida no meio das águas e acreditou que o deus havia descido do céu para se banhar ali. Assim, a moça se atirou no lago em direção à imagem da lua”.

 

RODRIGUES, Sarah Castelo Branco Monteiro Rodrigues. Vitória Régia. Nosso Folclore. Belém: PA, Cultura Brasil, 2016, p. 21.

 

“Ninguém se torna rico e poderoso no garimpo sem matar ou mandar matar. Não se converte em patrão de garimpo se a exploração do ouro não for guarnecida por gente inescrupulosa, sem piedade e disciplinada para a chefia do garimpo. O guaxeba recebe elevadas somas, pelo seu trabalho inóspito.”

 

ALVES, Ivanildo. Madrasta-Terra: Crônicas do Latifúndio na Amazônia, Belém:PA, 2023, p. 149.

 

“Estacionou pela lateral da praça, esperando epla reação dela, a qual continuava imóvel, com olhar distante atravessando a janela do automóvel. A moça não fazia absolutamente nada, permanecia observando e mexendo a cabeça”

 

MELLO, M.N. Mistérios e Fantasmas de Belém: um passeio por Belém em 6 histórias de suspense e mistérios. Belém, PA; Paka-Tatu, 2024, p. 31.

 

 

Cântico V

 

Rio
de muitos nomes,
Ser
de muitas formas e fomes.

Espelho contra espelho
rio só linguagem.
Rio sim sêmen de Deus.
Amazonas
              água e lama
vogais e consoantes.
Que outro nome corre no teu leito,
se outro rio corre no teu nome?

[...]


PAES LOUREIRO, João de Jesus. Porantim. OBRAS REUNIDAS-POESIA
Textos introdutórios de Benedito Nunes e Octavio Ianni.
São Paulo: Escrituras, 2001.    2 volumes.

 


QUANDO PENSARES EM MIM

 

Quando pensares em mim, escreve como se existisse a palavra que queres. 

Escreve como se existisse a forma que cabe o que pensas ou o que sentes. 

Ou senão, escreve apenas, escreve, levas a caneta ao papel, deita-a sobre as dobras do branco labirinto. 

Assim sou eu também. Temos novamente algo em comum: sabemos evitar o que criamos, sabemos evitar o que sabemos. Sabemos evitar o que nos escreve, e sabemos evitar o que somos – sabemos, enfim, alguma coisa. 

Então, é melhor não dizer, é melhor esconder, assim são as palavras: algo que se esconde. Queres dizer o que sentes? 

Experimentas escrever; escrever é a facilidade de desistir. - Vai, olha para o papel, a folha é pura, é branca, sim, guarda a caneta, tente, como é fácil não prosseguir. Percebe? Isso talvez seja poesia, talvez seja literatura, ou qualquer coisa que assuste. 

Não prossiga, isto talvez seja arte. 

Isso de que se desiste.

 

 

CRUZ, Benilton. Quando Pensares em Mim. In: DIÁRIO DE ÍCARO, Amazônia do Ben, www. https:novoblogblc1.blogspot.com

 

Para Rosangela Aguiar.

 

 Tela: O Lamento por Ícaro, H. J. Draper (1898)

Imagem digital fictícia de personagem de desenho animado

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.







Recitando José Wilson Malheiros da Fosenca


















Cenas uma participação expressiva de visitantes, por conta da ideia de intervisitação dos espaços culturais da noite de 09 de janeiro de 2026.

UMA NOITE NO MUSEU

E mesmo assim muitos ficaram até o final do evento.

Parabéns, @⁨Ivanildo Alves⁩ @⁨Franssinete Florenzano⁩ @⁨Sarah Castelo Branco⁩ @⁨Marcos Valerio⁩ @⁨Zenaldo Coutinho⁩ @⁨Nazare Melo⁩ por citarem poetas e escritores de Belém e de outras cidades, trovas, jogos florais, Machado de Assis, nossos mitos e lendas,  - os 410 anos da capital paraense fervilharam emoção ao lembrarmos de José Wilson Malheiros da Fonseca (citei uma peça teatral dele), José Ildone, Alonso Rocha...foi uma bela noite no museu da imortalidade.

 Recitei também o pitagórico Irineu da obra infantojuvenil de @⁨Leonam Cruz⁩






Circuito Cultural Uma Noite no Museu na Academia Paraense de Letras.


Logo após o recital dos acadêmicos reunidos à mesa diretora da Academia Paraense de Letras, depoimentos literários do presidente Ivanildo Alves, e dos membros efetivos Marcos Valério, Benilton Cruz, Sarah Rodrigues, Zenaldo Coutinho, Nazaré Melo, do convidado, o poeta e escritor Daniel Leite, e sob a direção de Franssinete Florenzano, o microfone foi aberto e todos puderam falar, recitar poemas, relatar histórias, seus depoimentos sempre em torno da literatura. 


O púlpito da APL recebeu o público presente e todos puderam ouvir poemas, canções, e relatos até sobre o teatro na Amazônia, os desafios e a poética do improviso comum à arte de encenar. 


Curiosamente, eu havia recitado um trecho da peça "O Filho das Águas Grandes", de José Wilson Malheiros, do livro "A Boiúna Consagrada", que trata do caso de uma mulher mundiada e engravidada pelo Boto, e que recebe muitos benzendeiros, um mais engraçado que o outro, e inúmeras rezas, uma mais poética do que a outra.


Foi uma noite memorável, poética e democrática. Agradecemos a todos que usaram o rostro da Academia para falar sobre  a liberdade de comunicar sobre qualquer assunto que registra a memória poética como a da sobrinha do poeta Antônio Tavernard. 


Houve também exposição de livros, obras de Leonam Gondim da Cruz Júnior, de Garibaldi Parente, da Malta de Poetas, os meus livros, os de José Wilson Malheiros da Fonseca, um exemplar de uma Antologia dos Poetas Brasileiros, e os livros presenteados pela Imprensa Oficial do Estado à APL - ou seja, tivemos uma noite memorável em torno da literatura.


Uma Noite no Museu na APL foi com livros, encontros, recitais, cantos, contos & causos, trovas & trovadores, poesia & performances - foi para celebrar a face poética da linguagem, a humana arte da palavra.


Benilton Lobato Cruz - cadeira 35 da Academia Paraense de Letras, patrono: Carlos Hipólito de Santa Helena Magno; membro da Academia Maçônica de Letras do Estado do Pará (AMALEP), cadeira n° 11, patrono: José Wilson Malheiros da Fonseca; correspondente da Academia Internacional dos Maçons Imortais (AIMI), professor da UFRA.



Obrigado, TV Cultura.


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