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CRÔNICA DE UMA POSSE: MÁRCIA DUAILIBE FORTE NA ACADEMIA PARAENSE DE LETRAS




A Academia Paraense Letras realizou nesta sexta-feira, dia 19 de setembro, a posse de sua mais nova imortal, a escritora Marcia Duailibe Forte, assumindo a cadeira 13, cujo último ocupante foi Raymundo Mario Sobral.


Causava certo espanto aos visitantes que estacionavam seus carros no entorno da Academia, ao ver as obras na Praça da Bandeira por ocasião da COP 30, enormes estruturas metálicas visíveis de longe e os tapumes de latão contornando a Praça, enchendo de curiosidade aos transeuntes, o que seria isso?


Quando falamos de posse, na verdade, temos em mente não apenas o ritual de entronização do novo imortal e sim também que se trata da recepção do novel pela própria Academia, sem esquecer da participação dos convidados.


E foi assim que realmente aconteceu: interação pura de quem comandava a sessão com todos os presentes, como se estivéssemos tocados pela aura agregadora de todas as formas artísticas.


E quem viu a sessão solene pela primeira vez como acadêmico empossado, como é o meu caso, pude ver com outros olhos e de outro ângulo: da cadeira 35, recém-ocupada por mim, assento que se situa justamente do lado oposto da tribuna.


Tive portanto, uma visão, de certa forma, privilegiada.


Na pontualidade de sempre, o presidente da Sessão Leonam Gondim da Cruz Júnior iniciou convocando as bênçãos de Deus, agradecendo de antemão a presença de todos.


Foi uma sessão muito bonita, pois parecia que o mundo da arte se reunia ali no nobre Casarão do Barão do Guajará e sentíamos todo tipo de vibração estética, da arte literária à arte circense, sem deixar de transitar pela música, a performance de cunho literomusical e o cordel.


O discurso de recepção coube à Betânia Fidalgo que destacou a presença das mulheres no cenário artístico paraense e como a APL se engrandece com a nova imortal, uma artista multiforme e aplicada à literatura infantojuvenil.


Emocionante as performances musicais: Salomão Habib fez-nos dançar espiritualmente com Ravel e seu inconfundível Bolero com arranjos excepcionais de muita virtuosidade; e Sandra Duailibe cantou a alegria de um samba à Ode ao Tempo da inesquecível, Nana Caymmi com direito a coro dos convidados.


Em seu discurso de posse, Marcia Duailibe, agora como acadêmica fez uma verdadeira reconexão entre Pará e o Maranhão, revitalizando a força cultural do Grão-Pará e Maranhão – na verdade : rememorando a identidade de quando éramos uma unidade territorial e encheu a APL de vidas vividas em casarões, infâncias, memórias, família, pujança de arte.


Eu aplaudia sempre e uma coisa que me chamou muito a atenção foi no momento da execução do hino da Academia Paraense de Letras quando vi que a Marcia cantava com muito orgulho; “Que Deus guarde a nossa Academia/ E ilumine as gerações futuras/ Conduzindo com igual sabedoria/ Glorioso Estandarte da cultura".


Quem sabe no futuro, novos acadêmicos tomem ciência de que em 19 de setembro de 2025, em uma sexta-feira calorosa e serena da noite amazônica dedicada às Letras, houve uma esplêndida sessão de posse da imortal Marcia Duailibe Forte.


E não posso deixar esquecer que à noite anterior tivemos a presença da visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, abençoando os presentes: acadêmicos como o nosso decano-de-coração Georgenor Franco Filho e esposa, Leonam Gondim da Cruz Junior e a Renata, Franssinete Florenzano e sua digníssima mãe, Flávio Quinderé e a Carmen, além dos parentes e amigos da Márcia Dualibe.


Se esqueci de mencionar algum acadêmico, perdoem-me, eu havia chegado atrasado por conta de um outro compromisso acadêmico na mesma data, um lançamento de livro sobre a relação Amazônia e Ecofilosofia, do Ricardo Albuquerque.


A Rainha da Amazônia foi recebida pelo presidente Ivanildo Alves que, mesmo se recuperando de uma cirurgia, conduziu um momento de oração que a todos emocionou e fortaleceu espiritualmente a nossa centenária Academia. E acredito que a bela sessão de posse da Marcia na sexta-feira ainda estava sob os eflúvios da divina bênção maternal da também amazônica mãe de Deus.



Benilton Cruz

Cadeira 35, da Academia Paraense de Letras

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