Linomar Bahia lançou “Pós-Escrito,
coletâneas de artigos em ‘O Liberal’”.
Com o prefácio de Ronaldo Maiorana
e orelhas de punho do próprio autor, com trechos de seu discurso de posse na
Academia Paraense de Letras, o livro com exatas trezentas páginas, brinda o
público leitor com a mais pura coletânea já lançada recentemente sobre o
jornalismo paraense, à noite de 20 de janeiro de 2026, no Salão Social do Grupo
Líder, em Belém.
A obra traz um outro subtítulo “Páginas
da história do nosso tempo”, o que corrobora a atualidade da edição, afinal são
artigos publicados no maior jornal paraense desde 2009, aos domingos, “ausentes
raríssimas vezes”, como relata o autor em seu Escrito, na parte introdutória.
A parte do Pós-Escrito é o livro
em si que curiosamente não apresenta um sumário para o leitor localizar um
artigo em seu número de página, assim como não traz indicação direta da data em
que o texto foi publicado, algo indispensável ao jornalismo – tais observações
são alertadas, contudo, pelo autor, considerando que os textos em si têm um
caráter atemporal, carecendo dessas marcações cronológicas.
É verdade, e ao longo do livro
percebe-se isso.
Cada artigo é uma verdadeira aula
de tessitura de pensamento envolvendo a notícia, sempre respeitando uma
efeméride não de datas em si, mas de fatos ocorridos no país, temas de natureza
econômica, política, saúde pública, CPIs, história e coisas do Pará, a verdade
em tempos de fake news, balanços dos tempos da informação na era de internet, greves,
as mutações partidárias dos políticos, livros, Amazônia, gestão municipal, dentre
outros.
São reflexões e inflexões sob a
tom da crítica de artigos-crônicas com o peculiar estilo de Linomar Bahia, com aquela
sempre pitada de filosofia, digressões literárias, apenas para citar alguns, entre
Aristóteles a Mario Quintana, verdadeiros links de leituras - e o que mais importa,
como diz o jornalista, “sob o signo da imparcialidade”: a informação
devidamente comentada com qualidade insofismável.
E por falar em filosofia, Linomar
Bahia segue à risca a diretriz da imparcialidade, a que dá credibilidade ao
jornalismo – isso soa hoje como uma lei esquecida diante da desenvoltura da
escrita da informação na era digital - quase que totalmente parcial apenas para
um lado, a chamada imprensa militante.
Impossível esquecer esta passagem:
“A parcialidade midiática põe em xeque a essência do jornalismo, contaminando a
liberdade constitucional de expressão e fragilizando um dos pilares da Democracia”,
do artigo “Entre provérbios e credibilidade”.
Liberdade tem um preço muito
caro, e há mais de 70 anos que o autor vem tratando de jornalismo na difícil
balança da imparcialidade e esta é a sua grande qualidade. É sabido que um verdadeiro texto de jornalismo
desperta a consciência e estimula o senso crítico, indo além da caverna de
Platão que é o hoje qualquer aprisionamento, principalmente o ideológico.
À luz da verdade, a primeira e estrita observância do jornalismo: a liberdade de poder dizer; questionar seria outro pilar da democracia: os governados têm o direito de saber o que os governantes fazem, assim como um fato bem contado pode virar página da história pelo simples motivo de ser bem registrado.
A escrita jornalista parcial
sintoniza o escritor com um público também acima das vaidades ilusórias,
principalmente as do poder.
E é dentro dessa liberdade de
pensamento que este livro se torna referência à história do jornalismo no Pará.
Por exemplo, apenas sobre o delicado período do vírus que aterrorizou o mundo, há
indiscutíveis artigos merecedores de toda atenção: “Há outros vírus, ainda
piores”, “’Coronajato’, a próxima atração”, “pandemia da coincidência”, “A
verdade, nem sempre verdadeira”, “Heróis e vilões”, “acredite se quiser”, “pandemia
de coincidências”, “pandemia da corrupção” e muitos outros que discorrem sobre os
males brasileiros aflorados do período.
É, sem sombras de dúvidas, um
livro-referência pelas inquestionáveis qualidades do livre pensar dentro da
esfera da Imprensa, daquilo que se chamou do Quarto Poder e que ultimamente
está migrando para a internet.
Agora falando da edição em si, achei estranha a ausência do ISBN no livro, o que pode prejudicar a busca em um futuro próximo por essa obra histórica do jornalismo escrito no Pará e que recorta com maestria um período recente de nossa História.
É a minha única crítica à
edição histórica de “Pós-Escrito” de um dos mais importantes jornalista
paraense, o acadêmico Linomar Bahia.



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