Pular para o conteúdo principal

SÃO JOSÉ "MAÇOM"

 




Uma das coisas que sempre me intrigou na história de Jesus Cristo é a figura paternal, pedagógica e de certa forma maçônica de São José. 



Falar do pai terreal de Jesus é se deparar com um homem discreto, silente - a do comedido magister - uma postura essencialmente maçônica. 



São José não deixa de participar discretamente do panteão da Ordem dos homens livres e de bons costumes.



Sabemos que alguns santos católicos são reverenciados em nossa Ordem, principalmente São João Batista, patrono da Maçonaria, modelo "solar" de virtude, sabedoria e justiça e que nos ficou eternizado pelo uso da água como elemento purificador em uma das viagens do iniciado e na celebração do solstício de verão. 



São João Batista é um "divisor de águas" a metáfora de  passagem, o batismo representando a renovação e a transformação. 



É o santo modelo de virtudes como a justiça, a prudência e a temperança, valorizadas na Maçonaria. É quem batizou o Cristo adulto e assim abriu caminho à redentora figura do Salvador sob a visão do Cristianismo. 


São João batizou aquele que carrega o binômio da iniciação de morrer / renascer à verdadeira luz.


Há também uma mística tridentina no nome João como o patrono da Maçonaria nas figuras do João Evagelista que teve a missão de escrever o Evangelho que considera Jesus como Deus encarnado -  e do João Esmoler, o Hospitaleiro a socorrer os feridos e desamparados à época das medievais cruzadas.



Temos também Santo André, patrono da Escócia, e por conseguinte da Maçonaria do Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA).


 

A Loja Maçônica de São André, em Edimburgo, Escócia, é uma das mais antigas e mais respeitadas lojas maçônicas do mundo.


Muitos templos maçônicos em todo o mundo têm estátuas ou imagens de Santo André, e ele é frequentemente invocado em rituais e cerimônias maçônicas.



Curiosamente, Santo André é patrono de outra instituição que lembra a Maçonaria: o Escotismo, movimento fundado pelo militar britânico Baden-Powell, em 1907, que tem como fundamentos educar jovens e crianças para se tornarem cidadãos responsáveis e ativos, com valores e habilidades para enfrentar os desafios da vida e sob o preceito da lealdade, a responsabilidade, a solidariedade e a cidadania. 



O Escotismo é conhecido pelas suas "lojas" os acampamentos, excursões e a atividades ao ar livre (hiking, camping, jogos e variadas atividades esportivas), contando com as suas faixas de "iniciados": Lobinhos (6-10 anos), Escout (11-14 anos), Pioneiros (15-17 anos) e Jamboree (18-25 anos).



Além do Escotismo, Santo André é o padroeiro dos marinheiros e pescadores. Ele foi o primeiro a ser chamado por Jesus em sua "escola de iniciados" do seu apostolado.



André, irmão de Pedro, foi martirizado na Grécia, morrendo em uma cruz em forma de X, um símbolo importante na Maçonaria, revelando a união dos opostos e a busca da verdade.



Volto a falar do misterioso, esotérico, carpinteiro e arquiteto São José.



O terreal pai de Jesus não deixa de ser o seu mestre, que com certeza participava de alguma "guilda" de seu tempo (sabemos que a Maçonaria surgiria na Idade Média, com raízes na construção de catedrais e igrejas, dos templos, guildas medievais que de certa forma pode ter influenciado a Maçonaria).


E isso é melhor falar entre parênteses.


Todavia, não há como não deixar de associar os símbolos como o esquadro e o compasso à figura do arquiteto e a do Grande Arquiteto afinal a Ordem, em suas origens, a operativa, é frequentemente associada à construção de catedrais, templos e edifícios, e São José é considerado o patrono dos carpinteiros e construtores.



Existem lendas (do grego légere, dizer, ou "o que foi dito") que São José teria sido um membro de uma sociedade secreta de construtores ou que ele foi um iniciado em mistérios esotéricos, que foram transmitidos posteriormente à Maçonaria.



Eu costumo dizer: esqueçam o que temporariamente está escrito e você que é maçom, uma vez praticante, aprenda a se concentrar em seu rito e receba as informações sob a egrégora de sua loja, nem tudo está nos livros: o verdadeiro ensinamento é espiritual.



As verdades maçônicas repousam em alegorias e simbolismos que revelam segredos que só o reino espiritual pode decifrar. 



É o caso do São José "maçom" que nos ensina retidão, temperança, justiça, maestria e discrição - virtudes que nos levam a refletir o papel do maçom em tempos da inevitável exposição nas redes sociais atuais.




Benilton Cruz, Presidente da Academia Maçônica de Letras do Estado do Pará, membro da Academia Paraense de Letras, obreiro da James Anderson 101 (Ritual de Emulação), correspondente da AIMI (Academia Internacional dos Maçons Imortais), professor da UFRA.



À época de Cristo, carpinteiro seria também equivalente a Arquiteto.



Curiosamente, São João é pintado o "santo menino" a indicar a postura similar a do jovem arauto à tarefa de anunciar a transição da verdade.

Ê como eu digo, é um santo solar, seu halo lembra o emblema maior do amor do Grande Arquiteto do Universo: o sol.




Imagens capturadas pelo Pintetest


A bandeira da Escócia também conhecida como Cruz de Santo André






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

UM DIA DE FESTAS - POR ADALBERTO MOURA NETO

Recital em frente à casa onde nasceu o poeta Antônio Tavernard, em Icoaraci. Hoje se concretiza o sonho de reerguer este espaço como a merecida Casa do Poeta, na visão de Adalberto Neto e endossado pelo autor do livro Moços & Poetas. Publico hoje, na íntegra um artigo de um grande agitador cultural de Belém, em especial de Icoaraci. Trata-se de um relato sobre uma justa homenagem àquele que é considerado como um dos maiores poetas paraenses: Antônio Tavernard.  O que me motiva esta postagem - e foi a meu pedido - é que a memória cultural do nosso estado vem de pessoas que fazem isso de forma espontânea. O Adalberto Neto é aquele leitor voraz e já um especialista no Poeta da Vila - e isso é o mais importante: ler a obra de Tavernard é encontrar: religiosidade, Amazônia, lirismo, musicalidade romântico-simbolista, um tom épico em seus poemas "em construção" e um exímio sonetista, e eu diria: Tavernard faz do soneto um minirromance.  Fico feliz pelo Adalberto Neto, o autor d...

AO CORAÇÃO DO MAESTRO (PEQUENA CRÔNICA PÓETICA)

O coração do poeta encontrou o coração do maestro em outubro de 2023 e desde então conversavam como se fossem dois parentes que fizeram uma longa viagem a rumos diferentes e que se reencontravam de repente. O coração do maestro ensinava; o coração do poeta ouvia. Quem ensina é o coração; quem aprende é também o coração. Dois irmãos. - Um coração para duas mentes diferentes. O coração do maestro regia as histórias, as lendas, os mitos, a ópera, a música; o coração do poeta dizia: sonho com o verso, o certeiro acorde, do maestro como ópera e como canção, como rima, como melodia, como ode. E alegria. Era muita cultura, para muito mais coração. Era quase todo dia, um projeto, uma ideia, uma música, um hino, o coração do poeta escrevia: "Homens livres e de bons costumes/ irmãos do espírito das letras/ levantai a cantar a Glória do Arquiteto Criador/ Homens Livres e de bons costumes/ Irmãos do espírito das Letras/ Aprumai a voz ao coração/ que a pena é mais forte que o canhão/ Às Letras...

QUEM FOI DE CAMPOS RIBEIRO?

     DE CAMPOS RIBEIRO   JOSÉ SAMPAIO DE CAMPOS RIBEIRO, filho de Antônio Campos Ribeiro e Theodora Sampaio Ribeiro, nasceu em São Luís, MA, em 28 de janeiro de 1901, vindo morar em Belém aos quatro anos de idade.  Aos dezessete, abraçou a carreira de jornalista, atuando nos jornais “A Província do Pará”, “Folha do Norte” (Redator), “Correio do Pará”, “O Estado do Pará” (Redator-Chefe), “O Liberal”, até o ano de 1968, quando após sofrer um infarto, aposentou-se. Foi casado com a Sra. Lygia Amazonas de Campos Ribeiro, com quem teve oito filhos. Em 4 de maio de 1937, foi empossado como Titular da Cadeira nº 37 da Academia Paraense de Letras, da qual foi presidente nos períodos de 1951-1952 e 1967-1970. Pertenceu, como Membro Correspondente, da Academia de Letras do Amazonas, da Academia Acreana de letras e da Academia Maranhense de Letras, não chegando a tomar posse. “O Velho”, como era chamado no meio literário, foi poeta, contista, cronista, memorialista e...