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ANTONIO TAVERNARD: O MAIS MOÇO DOS POETAS, SONETOS E MINIRROMANCES.

ANTÔNIO TAVERNARD: O MAIS MOÇO DOS POETAS, SONETOS E MINIRROMANCES.     Uma boa parte dos sonetos de Antônio Tavernad são verdadeiros minirromances, inclusive com diálogos e outras características do gênero mais alongado da prosa romanesca só que tais características condensadas à forma fixa de quatorze versos, geralmente decassilábicos, com singular maestria.   É o nosso mais moço dos poetas paraenses, nascido em Icoaraci, distrito da capital do estado, viveu infelizmente até a perigosa fase dos 27 anos.  O famoso Clube dos 27 contempla a idade das grandes transformações na identidade, espiritualidade, momento delicado inclusive quando o gênio esbarra no temível limite da morte e por aquilo que os místicos falam de o "Retorno de Saturno", quando o deus cobrador exige maturidade e responsabilidade por volta dos trinta anos.   Entre nós, na História da Literatura Paraense, observei que alguns poetas viveram o drama de alguma luta, um "agon" como destaquei no ...

A ORIGEM DO FOGO — LENDA KAMAYURÁ

    Lenda colhida pelos irmãos Villas Boas. Posto Capitão Vasconcelos à margem do arroio Tuatuari, em 16/06/1955.    Na Amazônia, todos os povos indígenas têm lendas sobre a origem do fogo. Elas diferem entre as etnias, embora o processo seja o mesmo: uma flecha partida em pedaços e uma haste de urucum.  Das lendas que ouvimos sobre a origem do fogo, a que mais nos pareceu interessante foi a narrada por um velho Kamayurá.                                                     “Canassa — figura lendária, caminhava no campo margeando uma grande lagoa. Tinha a mão fechada e dentro, um vaga-lume. Cansado da caminhada, resolveu dormir. Abriu a mão, tirou o vaga-lume e pôs no chão. Como tinha frio, acocorou-se para aquecer à luz do vaga-lume. Nisso surgiu, vindo da lagoa, uma saracura que lhe disse: ...

AMAZÔNIA: ETNOPOESIA

Em 2017, iniciei uma pesquisa sobre o que eu chamei de a Amazônia: Etnopoesia, a poesia oral e cantada dos povos indígenas, seus pajés e índios-muras (os que vivem isolados das suas comunidades), os pontos da matriz africana, os “íkaros”, do idioma shipibo-konibo, espécie de cantos mágicos da Amazônia andina, do ritual de energização e cura das tradições peruanas, cantos estes que chegaram a nós através da ritualística do Daime, bebida sagrada, hoje encontrada em centros religiosos às proximidades de Belém, Pará. Os “Íkaros”, os pontos, os hinos e as rezas-cantadas dos índios-muras só se aprendem em uma sessão religiosa, na solidão do espírito evoluído de quem os recebe sob o efeito de aromas especiais, de bebidas enteógenas como a Ayahuasca (chá feito da folha da chacrona e do cipó mariri), de algum tipo de tabaco, de ervas medicinais, do contato com a sananga, o chamado “colírio da floresta”. Receber é uma forma de compor, e o que vai de uma simples reza a uma sinfonia pode ser u...

HISTÓRIA CULTURAL DA AMAZÔNIA: REMÍGIO FERNANDEZ (1881-1950) UM CLÁSSICO CONTRA A SEMANA DE ARTE MODERNA.

- Recebi este texto de Hiran Lobo, bisneto dessa personalidade que deixou uma história de amor à língua latina, à literatura vernácula, ao Direito e à Docência, dentre tantas coisas que merecem ser recordadas em tempos de Sociedade em Rede. - Dentre algumas curiosidades, Remígio Fernandez foi contra a Semana Arte Moderna porque iria, segundo relatos da família, empobrecer a literatura, deixando de ter importância a métrica e a rima, perdendo assim a tradicional técnica de composição da arte poética. - É interessante esse relato, pois geralmente, poucas pessoas sabiam de fato da revolução modernista em nossa região. Ficou conhecido também como advogado dos pobres por não cobrar honorários das pessoas mais necessitadas, ou, às vezes, aceitava fardo de arroz, galinha, pato e outras benesses da culinária paraense, em troca dos serviços advogatícios. - Foi, politicamente, opositor de Magalhães Barata, apelidando-o de "La Cucaracha", entretanto no post-mortem, recebeu os devidos t...

KRISHNA E RAHDA

Toda palavra é um mantra. E o verbo é energia vital. Sua pronúncia não deve ser à toa, não pode haver desperdício de energia. Evite falar o que não é necessário, e fale somente o essencial. Quem deve falar é coração, e não a boca. E o coração não apenas bate, é a maior vibração que sai de seu corpo quando emana as palavras. O mantra a seguir me veio em um momento de necessidade de entender a união do santo casal: dois nomes que se tornam um: fusão de 2 em 1. A unidade é amor. Não pode haver dualidade, separação de mentalidades, direções, confusões. O amor é uno. É assim a história de Krishna e Rahda que se conheceram na infância e viveram a união sagrada. Na Índia, o amor entre os casais vem de uma educação desde pequenos, por isso a festa de casamento pode durar até três dias. É a celebração do uno. Para este mantra, imaginem um cortejo de elefantes enfeitados e sobre um deles, Krishna e Rahda, em um movimento de um lado para o outro, mas sempre voltando para o centro. E cante: Kris...

A ROSA E A AREIA

I O que é possível à palavra Se teu corpo escreve: A boca, o beijo O olhar, o desejo E o que assinala? Aquele que veio Para tentar o poema (O falso definitivo E o que não há no verbo). Assim, saberei acertar e errar - Isso que chamas poesia. II Tua cintura não tem neve, Tem o verão A se abrir ou fechar No botão Meu canto por ti É essa chama: O brilho do beijo Que te circunda a saliva A  prata menos amarga No teu umbigo 12.04.19 Benilton Cruz