Vi no deserto
Vi no deserto
Bestial criatura despida,
Que, de cócoras no solo,
Segurava nas mãos o coração,
Dele comendo.
Indaguei-lhe: é bom, amigo?
“É amargo... amargo”, respondeu-me,
“Mas eu gosto
porque é amargo,
E porque é meu coração".
Stephen Crane
(1871-1900)
Tradução: Emílio Carreira Guerra.
Dizem que ele fundou o naturalismo nos EUA, no que tange a sua visão animalesca do animal homem o impacto é de que a poesia revela o que tem que revelar.
No naturalismo o homem é um animal acuado pelo medo, pelo instinto e pel.
"Vi no deserto" é um de seus poemas mais conhecidos.
O poeta viveu os resquícios da época na qual a sua nação estava despedaçada pela guerra civil que dividia o país.
Nesse sentido, Stephen Crane fotografou o seu país com um olhar único, que o eternizou como aquele que via o que ninguém via: a brutalidade de um momento sem coração.
A Guerra da Secessão matou 600 mil homens, deixou uma ferida no coração da América.
O poeta a registrou com poucas e dilacerantes palavras.
"In the Desert" / "Vi no Deserto" – Stephen Crane, 1895, do livro "The Black Riders and Other Lines".
In the desert
I saw a creature, naked, bestial,
Who, squatting upon the ground,
Held his heart in his hands,
And ate of it.
I said, “Is it good, friend?”
“It is bitter—bitter,” he answered;
“But I like it
Because it is bitter,
And because it is my heart.


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