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ORFEU-XAMÃ: DOMADOR DO ESPÍRITO ANIMAL


Sim, existiu essa interpretação do Orfeu-Xamã e está em Belém do Pará, no final dos anos de 1950, através da lírica e metafìsica poesia de Paulo Plínio Abreu.


Ele foi professor do Curso de Humanides, nos alvores da fundação da Universidade Federal do Pará, bem diferente do que é hoje a Graduação em Letras.


Paulo Plínio Abreu sabia alemão e estudou a poesia europeia da époco como Andre Gide e Rilke, o poeta essencialmente "europeu" por natureza.


E por que o alemão?

Sim, muito provavelmente sim :)


Paulo Plínio Becker Abreu – poeta e professor, tem o sobrenome Becker, que é de origem alemã.


“Becker", padeiro em alemão, é um sobrenome típico da imigração germânica do Sul do Brasil, mas também houve Becker que vieram direto pro Pará no século 19 pra trabalhar no ciclo da borracha.

No Pará há registro de famílias Becker em Belém e Bragança desde 1870-1890, ligadas ao comércio.

Paulo Plínio nasceu em Belém e usava os dois sobrenomes: Becker Abreu. Isso indica que o pai ou avô paterno era Becker.

Os registros mais completos estão no Arquivo Público do Pará e no Instituto Martius Staden em SP, que tem banco de dados de imigrantes alemães. 

No ponto de vista histórico, era o idioma do país envolvido diretamente entre duas grandes guerras.

O mito de Orfeu traduz a poética de um "deus cantor", como haveria de lembrar o autor do Livro das Horas, tendo alguns poemas traduzidos por  Paulo Plínio Abreu.

E uma virtuosa intertextualidade se abre entre Rilke e o poeta paraense. A anímica linguagem se revela através de uma metafísico "reino" - que lugar seria esse? que fonte?


Esse trecho de um poema diz muito sobre a sagrada pureza das coisas sob o véu da poesia:


“Com as palavras que hoje restam da infância

edificarei meu reino

e nele estrelas cairão de noites puras.

de corações mais puros

tombararão as águas em que os animais

virão matar a sede”


Paulo Plínio Abreu – Orfeu.

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