É a pergunta que pretendo responder.
Se o universo é mental, pensar é a prova dessa causa.
Se o primeiro e principal princípio é mental tudo o que é da mente é primordial.
Fomos criados pelo universo-mental, um todo feito da substância-consciência de existir, hierarquizar, conhecer, entender, pensar.
O universo é mental e é grande, gigantesco como o próprio alcance do nosso pensamento. E essa infinitude teria uma mente divina como medida.
Somos unidos pelo mentalismo - a fonte - o Todo.
Estamos integrados a essa mente divina quando idealizamos algo e realizamos primeiro na mente e depois na realidade.
Ideias são a nossa conexão com esse Todo divino e mental.
Platão o chamou de idealismo; Hegel de espírito.
Vamos começar com a ordem de criação de algo fundamental ao pensamento: o desenho do som inteligível e ordenado, as letras, essas mesmas que unidas formam sílabas e palavras que também são cognoscíveis, comunicadas, partilhadas e entendidas.
E se considero a ordem histórica dos alfabetos criados pelos grandes decifradores nos alvores da humanidade:
Thot ou Hermes Trimesgistos,
Enoque,
Cadmos
e
Palamedes.
Tenho a resposta (depois de ler e reler Eliphas Lévi) na devida sequência encontro:
Thot: contemplação do universo;
Enoque: a sabedoria dos mistérios - as letras divinas;
Cadmos: a comunicação entre os povos, e
Palamedes: a estratégia e a razão.
No fundo, cada decifrador da humana e divina linguagem se preocupou com a essência espiritual de seu povo.
Thot ou Hermes Três vezes Mestre (número maçônico por excelência), ocupou-se com o entendimento do lugar do homem no cosmo;
Enoque, aquele que andou com Deus, não morreu e foi arrebatado, ateve-se à sabedoria dos mistérios gravados nas letras consonantais do hebraico (uma assertiva economia verbal - nisso que os judeus são mestres: a economia);
pensem em Cadmos, comerciante e navegador, preocupado com uma linguagem universal (e comercial) entre os povos que margeiam o Mediterrâneo;
- e,
por fim, Palamedes, arauto do Logos racional, filtro de toda filosofia, estratégico e ciente da dialética, tanto que - que talvez por inveja ou injustiça - foi eliminado dos grandes livros gregos.
Pausa aqui para respirar e inspirar.
O pensamento nasce de tudo isso: da coragem, da ousadia, de uma estranha matemática que desafia a eternidade, da inteligência de se opor à tirania, seja ela política ou espiritual, seja ela do controle do próprio pensamento.
O universo é mental.
O pensamento nasceu para libertar, por isso pensadores amam a música, a poesia, e toda a forma de arte - porque é na linguagem que encontramos a luta titânica pela expressão.
A luta pela expressão vira alguma forma de arte.
Por isso digo que o termo "linguagem estética" é redundância.
De onde vem o pensamento?
O pensamento vem de Deus porque só Deus pode te dar a liberdade - diz Rosangela Aguiar, em uma conversa (em casa) e completa: tudo em teu pensamento é livre e é na liberdade que se pode criar.
Um Deus grandioso - diz ela - não te dá coisas pequenas.
Esse mesmo Deus pode ser uma leitura do Universo-Mental, reflito eu sem a refutar.
Por isso, não adianta prender um homem livre - adiciono eu - algo que é ciência de todos que pensam - e pensar é perigoso demais para quem quer controlar.
O estado autoritário controla e censura.
A religião dogmática molda e limita.
A imprensa livre é uma utopia.
A filosofia arruma as coisas de acordo com a visão de mundo do filósofo.
Um sistema filosófico é uma casa arrumada.
Vem outro e arruma de seu outro-jeito.
De onde vem o pensamento?
Vamos finalizar e novamente reiniciar pelo óbvio: a maioria pensa coisas, reifica desejos, necessidades, dependências e quem pensa o pensamento?
De onde vem o pensamento?
Inserido no Universo-Mental, sou o espelho que reflete a lei primordial do Cosmo, também pensador, - um eu-menor, todavia, não menos mental, seguidor de um "penso, logo existo", fundamental à liberdade, motriz do pensamento;
seguidor de um "medito, logo encontro";
"fecho os olhos, logo vejo"
- boa parte do universo é também escura, a que é suficiente para abraçar a Terra, diz um trecho do Mahabahrata.
E assim, também, como o mental-universo, em nossa própria mente, temos ciência de uma pequena parte que continuamente é abraçada pela escuridão.
Caminhe.
Pense.
Medite.
De preferência, junto às oliveiras, como Akademus, o herói grego que dispensou as armas e usou a verdade como princípio, e assim, inspirou Platão a fundar sua Academia.
Benilton Cruz
"mens sana in corpore sano"

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