Um soneto de Antônio Tavernard:
A BERLINDA
Tu te lembras, meu bem, daquela noite linda,
Em que nós dois, na infância descuidada,
Brincávamos, rindo, em gargalhada,
Nesse belo brinquedo de berlinda?!
Pareço ouvir, perfeitamente, ainda,
A voz da tua irmã, que fora sorteada,
Perguntar, sorridente, à turma alvorotada,
Por que motivo estavas na berlinda...
−’’Porque é bonita!” − disse alguém ao lado
−”É porque é boa e sem nenhum pecado!”
−”porque ela é feia...” −eu disse brincalhão.
Eu não sabia, então, doido menino,
Que a tua berlinda, por força do destino,
Seria dentro do meu coração!...
(Antônio Tavernard, 1908-1936)
É o mais moço dos poetas paraense, morreu à roda dos 27 anos, a fatídica idade dos artistas de gênio. Superou o tormento passado por conta da hanseníase através de uma poesia que não transborda essencialmente dor ou sofrimento - e sim uma arte poética ligada à juventude, à alegria de uma vida curta, porém intensamente vivida sob o vigor de uma poética moderna e plural.
(Do livro Moços & Poetas, Benilton Cruz)



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