QUANDO PENSARES EM MIM
Quando pensares em mim, escreve como se existisse a palavra que queres.
Escreve como se existisse a forma que cabe o que pensas ou o que sentes.
Ou senão, escreve apenas, escreve, levas a caneta ao papel, deita-a sobre as dobras do branco labirinto.
Assim sou eu também. Temos novamente algo em comum: sabemos evitar o que criamos, sabemos evitar o que sabemos. Sabemos evitar o que nos escreve, e sabemos evitar o que somos – sabemos, enfim, alguma coisa.
Então, é melhor não dizer, é melhor esconder, assim são as palavras: algo que se esconde. Queres dizer o que sentes?
Experimentas escrever; escrever é a facilidade de
desistir. - Vai, olha para o papel, a folha é pura, é branca, sim, guarda
a caneta, tente, como é fácil não prosseguir. Percebe? Isso talvez seja poesia,
talvez seja literatura, ou qualquer coisa que assuste.
Não
prossiga, isto talvez seja arte.
Isso
de que se desiste.
CRUZ,
Benilton. Quando Pensares em Mim. In: DIÁRIO DE ÍCARO, Amazônia do Ben, www.
https:novoblogblc1.blogspot.com
Tela: O Lamento por Ícaro, H. J. Draper (1898)

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