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A TRILOGIA DO BEIJA-FLOR - Benilton Cruz


                           

                     A TRILOGIA DO BEIJA-FLOR


1.


TODO BEIJA-FLOR quando nasce é imperceptível, e ao nascer é do tamanho de outro beija-flor. Todo beija-flor aprende a eternidade das flores. É breve o seu beijo, é breve o seu desejo, é intenso o seu voo. Todo beija-flor tem asas invisíveis para não tocar o vento. Todo beija-flor vive em êxtase: não canta.



2.


TODO BEIJA-FLOR quando encontra outro beija-flor não reparte a mesma flor. O voo não é lugar para nada cuidar, o vôo é o nada vacilante no ar. Toda flor é um convite e todo beija-flor traz no peito um emblema de um reino feliz. Todo beija-flor é de utilidade pública, é patrimônio universal da poesia.



3.


TODO BEIJA-FLOR quando morre não vai para o céu dos beija-flores. Todo beija-flor quando morre se transforma numa coisinha leve e sem osso que a terra não consegue fincar. Todo beija-flor quando morre vai para a letra de um poema.
















   Este meu poema foi publicado pela primeira vez no blog


LUNÁRIOS, quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007.


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