Escrever à mão exercita não só a sua memória como toda a história da escrita, cada traço tem um peso e uma intensidade, cada ponto uma vontade e uma decisão, cada assinatura uma identidade, - e é inconfundível. Até a forma de começar (o arranque) diz muito de você, assim como como a forma de se inclinar para a um lado ou para outro determina uma postura, um traço de um "t" pode dizer de sua direção emocional. Na China, há torneios para escolher a melhor caligrafia; no Japão, o exercício da escrita à mão leva à longevidade. Há sim uma estética da escrita - até uma rasura tem a sua beleza - e toda escrita se torna documento, validação da História, confirmação ou anulação de um acontecimento. Escrever é sempre uma provocação ao seu cérebro, é como uma partitura que desafia o raciocínio mais rápido porque a música é a volição sublime do espírito - algo similar a também música da linguagem das letras - a íntima, intrínsica e pessoal voz desse timbre inconfundível e autoral: a una...
BENILTON CRUZ