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Mostrando postagens de dezembro, 2025

A DIVINDADE NASCE COM O SACRIFÍCIO

  A DIVINDADE NASCE COM O SACRIFÍCIO Os deuses vikings moravam em Asgard, um lugar no topo de Yggdrasil, a Árvore que sustenta os nove mundos. Nesta árvore, o deus Odin conheceu a sua maior provação e descobriu o mistério da sabedoria: as Runas. "Sei que fiquei pendurado naquela árvore fustigada pelo vento, Lá balancei por nove longas noites, Ferido por minha própria lâmina, sacrificado a Odin, Eu em oferenda a mim mesmo: Amarrado à árvore De raízes desconhecidas. Ninguém me deu pão, Ninguém me deu de beber. Meus olhos se voltaram para as mais entranháveis profundezas, Até que vi as Runas. Com um grito ensurdecedor peguei-as, E, então, tão fraco estava que caí. Ganhei bem-estar E sabedoria também. Uma palavra, e depois a seguinte, conduziram-me à terceira, De um feito para outro feito." Ou seja, a palavra sem ação nada cria. O verbo se realiza no fazer, revelando que cada runa a materialização de um feito. Essa d escoberta se fez no esforço sobre humano, como o primeiro passo...

O QUE É O BRASIL?

 “O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e de gente dizendo adeus”  Oswald de Andrade - SERAFIM PONTE GRANDE (1933). Tempo de falar de um país que tem tudo e ao mesmo tempo nos aceno com o nada. Parece que não nos mexemos do lugar. Cada brasileiro tem em si um misto de entusiasmo e indiferença. Nossa alegria já foi mais espontânea, hoje é negociada. Nada melhor do que ler em nossos escritores as linhas que escrevem nossa história. Estamos trabalhando para manter um sitema que estimula a improdutividade. Pagamos para não trabalharem, pagamos para não se produzir nada. E isso não adianta: tem que estimular a riqueza, a produção, a inciativa, a ideia, a promoção, a liberdade e não a dependência. Estamos produzindos viciados, a baixa renda, a ineficiência, o atraso, gente cansada e psicologicamente fraca, ineficiente, estéril. Só existe um mal, dizia Sócrates, ou a causa do sofrimento humano, alertava Buda - quem hoje se importa com o aprendizado de verdade? - a busc...

SÃO JOSÉ "MAÇOM"

  Uma das coisas que sempre me intrigou na história de Jesus Cristo é a figura paternal, pedagógica e de certa forma maçônica de São José.  Falar do pai terreal de Jesus é se deparar com um homem discreto, silente - a do comedido magister - uma postura essencialmente maçônica.  São José não deixa de participar discretamente do panteão da Ordem dos homens livres e de bons costumes. Sabemos que alguns santos católicos são reverenciados em nossa Ordem, principalmente São João Batista, patrono da Maçonaria, modelo "solar" de virtude, sabedoria e justiça e que nos ficou eternizado pelo uso da água como elemento purificador em uma das viagens do iniciado e na celebração do solstício de verão.  São João Batista é um "divisor de águas" a metáfora de  passagem, o batismo representando a renovação e a transformação.  É o santo modelo de virtudes como a justiça, a prudência e a temperança, valorizadas na Maçonaria. É quem batizou o Cristo adulto e assim abriu caminho ...

O ORFEU DE PAULO PLÍNIO ABREU

  O poeta Paulo Plínio Abreu revive, em boa parte de seus elegíacos poemas, a nostalgia da unidade: “E eu quis pousar em seu ombro”, “mas algo havia no seu ser/ que me aterrou”. Basta apenas este dois versos para encetar o terror da dispersão, de uma visão contrária a poderosa função agregadora do poeta-cantor da Trácia, o hermético Orfeu - isso tudo que é uma característica do autor do livro Poesia, duas vezes editado e publicado pela Editora da Universidade Federal do Pará, onde o poeta foi um dos primeiros professores do então Curso de Letras Clássicas. A poesia de Paulo Plínio Abreu fala que não navegamos mais animicamente na bela e ao mesmo tempo indecifrável cor azul dos mares do Mediterrâneo. O poeta dos argonautas tinha “olhos azuis” e sempre acompanhado de uma ave que surgia das árvores e pousava “no ombro de Orfeu quando ele retomou suas andanças, e não o deixou mais” ( BAUMANN, 1990, p. 09) .   Para o poeta paraense, esse pássaro “que não pertence a nenhuma fauna” (...

ÁGUA MÍSTICA E TROVAS DA TERRA EM JOSÉ WILSON MALHEIROS DA FONSECA

ÁGUA MÍSTICA E TROVAS DA TERRA EM JOSÉ WILSON MALHEIROS DA FONSECA   A água é o elemento maternal por natureza, acolhedor, fertilizante de outro elemento também feminino, a terra. A água é o elemento nunca quieto, aquele que não conhece obstáculos, contorna o empecilho e segue a viagem da eterna purificação.   Onde há água, há criação.   É uma forma líquida da luz. Expandem-se ambas, não voltam. A água corre, evapora, endurece. A água é parece o tempo, não para.   A água é mística por natureza.    A poesia de José Wilson Malheiros da Fonseca começa com a terra e se expande com a água, e vice-versa.   "The land and the man are one" dizia o lendário rei Artur. É isso que me refiro: a uma peculiaridade do autor do livro Água Mística, afinal o líquido elemento é marca de nossa amazoníada epopeia, a natureza verde das matas e dos rios.   Falar da poesia de José Wilson Malheiros é tocar a sensibilidade de um homem múltiplo, r...

OPTCHA, CIGANINHA

  A CORUJINHA (Benilton Cruz, para Lygia Talissa Vaz Cruz)   Ela veio de mansinho No mês de dezembro Segunda-feira, Dia da lua. Às quatro e quatro Do dia dezesseis, E com os olhinhos Sorriu...   Crescia como uma corujinha Que tudo sabia Que tudo aprendia Com o voo da filosofia E uma pitada de poesia. E assim voava, a levada bruxinha!   -Uh, uh! A corujinha quer chamar você Quer lhe ensinar na escuridão a ver Seus olhinhos brilham para a luz E para você   E depois voou Para outros lugares Outras paragens E voava para Mais saber   - Uh Uh! A corujinha quer chamar você Quer lhe ensinar na escuridão a ver Seus olhinhos brilham para a luz E para você!   - Olhe lá em cima, Bem lá no alto! Na nuvem ou em uma árvore Ela só que pousar perto de você!   Ela é a mascotinha, Da deusa da guerra e do saber. Ela só quer pousar perto de você!   -Uh Uh! A corujinha quer...

ÍKARO DO SANTO CASAL

  ÍKARO DO SANTO CASAL   Curem-se com a luz deste canto Curem-se com a fé deste canto Curem-se com a força deste canto Curem-se com o amor deste canto     - Madre Ayahuasca é quem está falando! A chacrona é quem está falando! A rainha é quem está falando!   Curem-se com a luz deste canto Curem-se com a fé deste canto Curem-se com a força deste canto Curem-se com o amor deste canto   - Tihuaco é quem está falando O mariri é quem está falando O marechal é quem está falando   - O santo casal é quem está falando! - O santo casal é quem está falando! Letra e música: Benilton Cruz Pauta Musical: Alcir Meireles

UMA ROSA PARA IEMANJÁ

  UMA ROSA PARA IEMANJÁ                                      À Rosângela Aguiar   Eu vim trazer uma rosa pra Iemanjá, Odoiá, O-odoiá!   Essa rosa é meu coração, Vou deixar essa rosa pra Iemanjá.   Cada onda que vem meus pés molhar É carinho da mãe Iemanjá.   Ela vem do azul com o luar Seu vestido cobre todo o mar.   Odoiá Odoiá, leva meu coração Que se acalma com o mar.   Acalanta com espumas os meus sonhos, ó Mãe! Acalanta, senhora Odoiá!   Me acolhe nos seus braços, ó mãe! Minha mãe que vem me acalmar!   Odoiá Odoiá Odoiá O-Odoiá!   Essa rosa é meu coração Vou deixar essa rosa pra Iemanjá! Letra e música: Benilton Cruz Instagram: @beniltoncruz Youtube: @bencruzpoemas Blog: Amazônia do Ben Pauta Musical: Alcir Meireles

A PELE DO MEU TAMBOR É BRANCA E NEGRA É A PELE DO MEU CORAÇÃO

A pele do meu tambor é branca e negra é a pele do meu coração, Eu canto a alforria e a alegria do nosso lugar! A pele do meu tambor é branca e negra é a pele do meu coração, Eu canto a alforia da alegria do nosso lugar! Eu canto ou é o meu tambor que canta?  Qual é a cor da pele de seu cantor? Qual é a cor da pele do meu tambor? Eu canto a alforia da alegria do nosso lugar. Meu coração bate nessa pele Meu coração bate nesse tambor. Deixa o tambor do coração minar O canto no coração de todos os cantos. Letra e Música: Benilton Cruz Ponto-Poema

QUEM FOI DE CAMPOS RIBEIRO?

     DE CAMPOS RIBEIRO   JOSÉ SAMPAIO DE CAMPOS RIBEIRO, filho de Antônio Campos Ribeiro e Theodora Sampaio Ribeiro, nasceu em São Luís, MA, em 28 de janeiro de 1901, vindo morar em Belém aos quatro anos de idade.  Aos dezessete, abraçou a carreira de jornalista, atuando nos jornais “A Província do Pará”, “Folha do Norte” (Redator), “Correio do Pará”, “O Estado do Pará” (Redator-Chefe), “O Liberal”, até o ano de 1968, quando após sofrer um infarto, aposentou-se. Foi casado com a Sra. Lygia Amazonas de Campos Ribeiro, com quem teve oito filhos. Em 4 de maio de 1937, foi empossado como Titular da Cadeira nº 37 da Academia Paraense de Letras, da qual foi presidente nos períodos de 1951-1952 e 1967-1970. Pertenceu, como Membro Correspondente, da Academia de Letras do Amazonas, da Academia Acreana de letras e da Academia Maranhense de Letras, não chegando a tomar posse. “O Velho”, como era chamado no meio literário, foi poeta, contista, cronista, memorialista e...