À ponta do poema está a letra, a caneta, o teu nome esparso, cheio de curvas e entrelinhas.
À ponta do poema está a memória derramada entre o copo e a taça, o rubro vinho que me demora o fado, o grão-pará recordo e a lusa história.
À ponta do poema lanço o dado de Mallarmé e a sorte que não pode abolir o azar.
À ponta do poema qualquer reinício bárbaro entre a vida e a morte: o beijo na morna xícara ou o último lúme do cigarro.
À ponta do poema a lua que na janela jaz fria e luminosa como um mármore do meu e teu antepassados.
À ponta do poema o rio que atravesso, o Mondego, como uma avenida abraçando águas e gentes.
À ponta do poema as folhas espalhadas pela tarde entre Aveiro, Matosinhos, Porto, Coimbra, Lisboa, Belém e um bairro do Marco.
À ponta do poema o último laço da palavra que aprisiona e liberta a alada e casta, escorpiniana, sagitariana, virginiana e andarilha casa.
Benilton L. Cruz, para a Lygia.
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