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ALGUMAS DEFINIÇÕES DE POETA



Aedo (aédo):  podia ser um poeta ou um declamador ambulante, e em muitas vezes um poeta-cantor na Grécia Antiga que, segundo Jaa Torrano, tinha “na palavra cantada o poder de ultrapassar e superar todos os bloqueios e distâncias espaciais e temporais, um poder que só lhe é conferido pela Memória (Mnemosyne) através das palavras cantadas (musas). Fecundada por Zeus Pai, que no panteão hesiódico encarna a Justiça e Sabedoria supremas, a Memória gera e dá à luz as Palavras Cantadas, que na língua de Hesíodo se diz Musas. O canto (as Musas) é nascido da Memória e do mais alto exercício do Poder (num sentido político inclusive) - o poeta-aedo, assim, é o guardião da memória . 


O aedo, para Hesíodo, se põe ao lado e por vezes acima dos basileis (reis) nobres locais que detinham o poder de conservar e interpretar as fórmulas pré-jurídicas e não escritas e adminsitrar a justiça entre querelantes e que encarnavam a autoridade mais alta entre os homens”.


Vates (ou Vate): era o poeta- possesso, inspirado por Deus, em trase, o que possuía um conhecimento extraordinário. 


Virgílio é guia Dante, o mais místico dos poetas - demiurgo em sua essência, a última escala do poeta: o de criadores de mundos.


Orfeu, voltando no tempo, possuia uma arrebatora força centrípta de conduzir a alma de homens e de animais. Por isso foi chamado a cantar à proa do Argos e assim conduzir Jasão e os argonautas à mítica Cólquida em busca do Velocino de Ouro.


Foi a primeira jornada náutica & poética da mitologia.


Todo poeta carrega consigo a tarefa de assegurar o lugar perpétuo da memória. Onde há poetas há o avanço da civilização ao reconhecimento da memória como patrimônio perdurável da palavra. 


O maior vate de todos os tempos foi Virgílio, a Eneida encerra ensinamentos esotéricos impressionantes. 


Bardo, por sua vez, era o poeta-cantor da tradição celta.


Cartar era uma forma de inspirar o moral dos briguentos bretões, que guerreavam nus e com os corpos pintados de azul.


Música e imagem são duas características mágicas da poesia.



Outras definições de poeta:


Hölderlin: “o que fica é fundado pelos poetas”.


Alfredo Bosi: “Poeta é o doador de sentido”.


Rimbaud: “O poeta é o verdadeiro ladrão de fogo”


Henry Miller: “A tarefa do poeta é sacudir os mortos vivos”.


Ada Maria Hemielewski: “Poeta é aquele que consegue desvendar o segredo das palavras. A matéria-prima do poeta é o sentimento, a emoção, e seu instrumento, a palavra, por isso, cada palavra pode significar mais de uma coisa ao mesmo tempo. O poema deve possuir sonoridade, versos curtos, distribuídos em estrofes. A linguagem deve se aproximar da coloquial. Parlendas, trava-línguas, adivinhações, quadrinhas populares, poemas musicados, poemas narrativos agradam às crianças. O professor deve escolher poemas de que ele mesmo goste porque é preciso gostar para despertar no outro o gosto pela poesia. Ouvir um poema, lê-lo das mais variadas formas são atividades enriquecedoras para as crianças”.


Jorge Luis Borges: “Para se escrever poemas tem-se que ser ingênuo e não muito inteligente. É sobretudo a emoção que importa. A prosa é mais difícil. Na poesia há uma certa inocência e se obedece a regras: o decassílabo, o alexandrino’.


Mallarmé: “O poeta deve dar um sentido mais puro às palavras da tribo”.


Ezra Pound: “Os poetas são as antenas da raça”.


Shelley: “São os ignorados legisladores da humanidade”.


Saint-John Perse: “São a má consciência do seu tempo.”


T. S. Eliot: “Poetas são aqueles que acusam os ocos, os homens de palha”.


Henry Miller: “A tarefa implicitamente imposta a si mesmo pelo artista (referindo-se ao poeta) é sacudir os mortos vivos”.


Octavio Paz: “ El poeta despierta las fuerzas secretas del idioma. El poeta encanta al lenguaje por medio del ritmo. Una imagen suscita a outra. Así, la función predominante del ritmo distingue al poema de todas las otras formas literárias. El poeta es ‘varón de deseos’. Para el poeta lo que pasó volverá a ser, volverá a encarnar”.


García Lorca: “Se é verdade que sou poeta pela graça de Deus ou do demônio, também o sou pela graça da técnica e do trabalho”.


Wordsworth: "É um homem que fala a homens".



Benilton L. Cruz

Professor da UFRA - Membro da Academia Maçônica de Letras do Estado do Pará - AMALEP, cadeira 11, patrono José Wilson Malheiros; e membro correspondente da Academia Nacional de Maçons Imortais - AMNI, Cadeira 35 da Academia Paraense de Letras. 


Mais sobre a Poesia, Poetas & outras definições no blog AMAZÔNIA DO BEN.


Salve 20.10.


Dia do Poeta.



Baía do Guajará - Belém PA.


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