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LEVO MINHA CASA ÀS COSTAS (Canção da Tartaruga Marinha)




Levo minha casa às costas
E me sinto bem na terra e no mar
Entre plantas, rochedos, gente, peixes, animais
Ou seja, em qualquer lugar.

No fundo, nas águas frias e escuras, sei meditar
- Sou o monge do mar!
Sábia, porque ensino a esperar,
Zelosa porque a longevidade
É o meu objetivo a alcançar.

Não abandono as minhas crias na areia, como muitos dizem,
Ali é o melhor lugar sob o sol
Para meus ovos chocar
E todos cedo aprenderem
Dos predadores fugirem
E atrás de mim como um sonar
Seguirem.

Não tenho pressa, tudo tem seu tempo e seu lugar
Não agrido, mordo só para comer,
No oceano de sal, sou um animal pacífico
(pacífico animal, poderia repetir)
E revelo a persistência, o entendimento 
e a sabedoria ancestral.

E para respirar? Não tenho guelras, tenho pulmões
E também filtro oxigênio da água em minha popa,
Guardo o ar por até uma hora no meu mergulhar.
Minhas patas, na água ou no chão,
São remos para me alavancar
Eu nado e é como se fosse voar.

- Filho, não tenha pressa,
Se te ensinam a ser rápido, mas sem rumo,
Eu te ensino a ser constante, sob o prumo,
Da direção do que me mostra a sabedoria 
De quem medita calmamente no fundo do mar.



16.03.19
Benilton Cruz







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