Pular para o conteúdo principal

CRÔNICA DE UMA INGRATIDÃO


Hoje sonhei que via um velho índio inca com um condor atrás de si, cujas asas se abriam, protegendo o peruano, como se guiasse esse sábio senhor por um caminho de montanhas e de alturas. Esse velho sacerdote empunhava uma bandeira com o perfil de um cavalo, o rosto largo, branco e poderoso, imagem emblemática – como todas as imagens dos sonhos são.
Pois bem, eu acordei e procurei interpretar o significado deste sonho e não encontrava sentido algum.
Guardei-o comigo.
Curiosamente, hoje, precisei ir ao centro da cidade resolver um problema na minha conta bancária, e depois de estacionar o carro, caminhava eu pela calçada quando de repente vi um cavalo que ofegava em uma carroça carregada de papelão e outros recicláveis. Visivelmente, sofria o peso, a idade, os maus-tratos. Via que estava muito cansado e respirava com dificuldade, mas se mantinha de pé. Literalmente estava ele com alguma doença, uma pneumonia talvez. E eu parei e disse cadê o dono desse cavalo? Esse cavalo respira mal – ele está com pneumonia!
E não aparecia ninguém. O pobre coitado estava à sombra de uma árvore e sofria. Foi quando me dispus a rezar por ele, diante  da minha impotência e de tamanha ingratidão, afinal este belo animal nos ajudou desde tempos remotos a mobilidades extremas.

Senti o quanto somos ingratos. Orei, e então me lembrei do sonho, e comecei a chorar.


Resultado de imagem para inca cavalo condorResultado de imagem para velho  xama incaResultado de imagem para carroça maus tratos cavalo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

UM DIA DE FESTAS - POR ADALBERTO MOURA NETO

Recital em frente à casa onde nasceu o poeta Antônio Tavernard, em Icoaraci. Hoje se concretiza o sonho de reerguer este espaço como a merecida Casa do Poeta, na visão de Adalberto Neto e endossado pelo autor do livro Moços & Poetas. Publico hoje, na íntegra um artigo de um grande agitador cultural de Belém, em especial de Icoaraci. Trata-se de um relato sobre uma justa homenagem àquele que é considerado como um dos maiores poetas paraenses: Antônio Tavernard.  O que me motiva esta postagem - e foi a meu pedido - é que a memória cultural do nosso estado vem de pessoas que fazem isso de forma espontânea. O Adalberto Neto é aquele leitor voraz e já um especialista no Poeta da Vila - e isso é o mais importante: ler a obra de Tavernard é encontrar: religiosidade, Amazônia, lirismo, musicalidade romântico-simbolista, um tom épico em seus poemas "em construção" e um exímio sonetista, e eu diria: Tavernard faz do soneto um minirromance.  Fico feliz pelo Adalberto Neto, o autor d...

AO CORAÇÃO DO MAESTRO (PEQUENA CRÔNICA PÓETICA)

O coração do poeta encontrou o coração do maestro em outubro de 2023 e desde então conversavam como se fossem dois parentes que fizeram uma longa viagem a rumos diferentes e que se reencontravam de repente. O coração do maestro ensinava; o coração do poeta ouvia. Quem ensina é o coração; quem aprende é também o coração. Dois irmãos. - Um coração para duas mentes diferentes. O coração do maestro regia as histórias, as lendas, os mitos, a ópera, a música; o coração do poeta dizia: sonho com o verso, o certeiro acorde, do maestro como ópera e como canção, como rima, como melodia, como ode. E alegria. Era muita cultura, para muito mais coração. Era quase todo dia, um projeto, uma ideia, uma música, um hino, o coração do poeta escrevia: "Homens livres e de bons costumes/ irmãos do espírito das letras/ levantai a cantar a Glória do Arquiteto Criador/ Homens Livres e de bons costumes/ Irmãos do espírito das Letras/ Aprumai a voz ao coração/ que a pena é mais forte que o canhão/ Às Letras...

QUEM FOI DE CAMPOS RIBEIRO?

     DE CAMPOS RIBEIRO   JOSÉ SAMPAIO DE CAMPOS RIBEIRO, filho de Antônio Campos Ribeiro e Theodora Sampaio Ribeiro, nasceu em São Luís, MA, em 28 de janeiro de 1901, vindo morar em Belém aos quatro anos de idade.  Aos dezessete, abraçou a carreira de jornalista, atuando nos jornais “A Província do Pará”, “Folha do Norte” (Redator), “Correio do Pará”, “O Estado do Pará” (Redator-Chefe), “O Liberal”, até o ano de 1968, quando após sofrer um infarto, aposentou-se. Foi casado com a Sra. Lygia Amazonas de Campos Ribeiro, com quem teve oito filhos. Em 4 de maio de 1937, foi empossado como Titular da Cadeira nº 37 da Academia Paraense de Letras, da qual foi presidente nos períodos de 1951-1952 e 1967-1970. Pertenceu, como Membro Correspondente, da Academia de Letras do Amazonas, da Academia Acreana de letras e da Academia Maranhense de Letras, não chegando a tomar posse. “O Velho”, como era chamado no meio literário, foi poeta, contista, cronista, memorialista e...