Pular para o conteúdo principal






        O objetivo deste livro é desvendar na fala brasileira a contribuição da cultura e da literatura portuguesa nos dois romances de Mário de Andrade: Amar, verbo intransitivo, de 1927 (edição bastante modificada para a definitiva de 1944), e Macunaíma, de 1928. 
É um inventário de palavras e expressões de origem lusitanas - daí o nome "Espólios Para uma Poética", afinal o Modernismo paulistano está eivado da influência da literatura portuguesa devido à afeição dos participantes da Semana de Arte Moderna, principalmente Mário de Andrade e Oswald de Andrade.
Há  muitas lusitanias no bojo de um escritor em ação, consciente da difícil tentativa de integrar a cultura brasileira em uma universalidade, herança de seu gosto pelo Classicismo, em especial o Barroco, assim também pelo não menos incerto universal da estética de Graça Aranha.

A literatura investigada tem o comportamento em aberto no encontro consigo mesma, nesse idioma, como registro do olhar que descreve o mundo sob a sensibilidade não apenas do escritor e sim também do missivista, do etnógrafo, do mitólogo, do geógrafo, do cronista ou qualquer outro termo a tentar definir a verve plural de Mário de Andrade.

Benilton Cruz 
Lusitanias modernistas em Mário de Andrade. São Paulo : Paco Editorial, 2016.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

QUEM FOI DE CAMPOS RIBEIRO?

     DE CAMPOS RIBEIRO   JOSÉ SAMPAIO DE CAMPOS RIBEIRO, filho de Antônio Campos Ribeiro e Theodora Sampaio Ribeiro, nasceu em São Luís, MA, em 28 de janeiro de 1901, vindo morar em Belém aos quatro anos de idade.  Aos dezessete, abraçou a carreira de jornalista, atuando nos jornais “A Província do Pará”, “Folha do Norte” (Redator), “Correio do Pará”, “O Estado do Pará” (Redator-Chefe), “O Liberal”, até o ano de 1968, quando após sofrer um infarto, aposentou-se. Foi casado com a Sra. Lygia Amazonas de Campos Ribeiro, com quem teve oito filhos. Em 4 de maio de 1937, foi empossado como Titular da Cadeira nº 37 da Academia Paraense de Letras, da qual foi presidente nos períodos de 1951-1952 e 1967-1970. Pertenceu, como Membro Correspondente, da Academia de Letras do Amazonas, da Academia Acreana de Letras e da Academia Maranhense de Letras, não chegando a tomar posse. “O Velho”, como era chamado no meio literário, foi poeta, contista, cronista, memorialista e...

CRÔNICA DE UMA POSSE: MÁRCIA DUAILIBE FORTE NA ACADEMIA PARAENSE DE LETRAS

A Academia Paraense Letras realizou nesta sexta-feira, dia 19 de setembro, a posse de sua mais nova imortal, a escritora Marcia Duailibe Forte, assumindo a cadeira 13, cujo último ocupante foi Raymundo Mario Sobral. Causava certo espanto aos visitantes que estacionavam seus carros no entorno da Academia, ao ver as obras na Praça da Bandeira por ocasião da COP 30, enormes estruturas metálicas visíveis de longe e os tapumes de latão contornando a Praça, enchendo de curiosidade aos transeuntes, o que seria isso? Quando falamos de posse, na verdade, temos em mente não apenas o ritual de entronização do novo imortal e sim também que se trata da recepção do novel pela própria Academia, sem esquecer da participação dos convidados. E foi assim que realmente aconteceu: interação pura de quem comandava a sessão com todos os presentes, como se estivéssemos tocados pela aura agregadora de todas as formas artísticas. E quem viu a sessão solene pela primeira vez como acadêmico empossado, como é o me...

SÃO JOSÉ "MAÇOM"

  Uma das coisas que sempre me intrigou na história de Jesus Cristo é a figura paternal, pedagógica e de certa forma maçônica de São José.  Falar do pai terreal de Jesus é se deparar com um homem discreto, silente - a do comedido magister - uma postura essencialmente maçônica.  São José não deixa de participar discretamente do panteão da Ordem dos homens livres e de bons costumes. Sabemos que alguns santos católicos são reverenciados em nossa Ordem, principalmente São João Batista, patrono da Maçonaria, modelo "solar" de virtude, sabedoria e justiça e que nos ficou eternizado pelo uso da água como elemento purificador em uma das viagens do iniciado e na celebração do solstício de verão.  São João Batista é um "divisor de águas" a metáfora de  passagem, o batismo representando a renovação e a transformação.  É o santo modelo de virtudes como a justiça, a prudência e a temperança, valorizadas na Maçonaria. É quem batizou o Cristo adulto e assim abriu caminho ...