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CHORO POR TI, BELTERRA


- Nicodemos Sena lança livro "Choro por ti, Belterra" na FliPA, a Feira Literária do Pará, evento muito bem organizado pela Livraria Fox, a Pagés, empresa digital, e a editora Empíreo, na capital paraense. 

- Esta nova obra do escritor nascido em Santarém e radicado na cidade de Taubaté, em São Paulo, relata de maneira sui generis uma reconstituição do que era a cidade de Belterra, no Pará, na década de 1940, quando o magnata americano Henry Ford investia na produção em larga escala dos pneumáticos no coração da floresta amazônica. 

- Primeiro, chama a atenção o selo "Letra Selvagem" título apropriado ao universo amazônico e de certa forma ao mercado editorial brasileiro, e é bonito a logotipo inspirado a partir da cerâmica Aruak, cujos traços foram recolhidos por Koch-Grumberg, em 1910.

- O livro se apresenta em 19 episódios escritos entre a memória, o romance, o conto, a crônica, a literatura de viagem, a poesia e principalmente pela busca de um amazônida às suas origens em uma cidade promissora a ponto de historicamente ali se ter realizada, por exemplo, primeira cirurgia de câncer de pele no Brasil.

- E hoje, o que é Belterra na lembrança do escritor? "Muitas coisas", diz Nicodemos, "primeiro que sempre o que reconstituímos não seria possível sem a literatura, por isso nem fiz questão das fotos ali colocadas a pedido da editora", enceta o autor sob olhar atento da esposa Marli Perim e de outro escritor, o conhecido Walcyr Monteiro, em uma conversa agradável e ao mesmo comovente, pois talvez o que une os escritores, no fundo seja essa escrita laboriosa que quer deixar a memória falar e ser ouvida. 

-Obrigado, Nicodemos Sena, seu novo livro é muito comovente e de apuro intelectual, sem ser piegas para ser um livro de recordações a partir de uma viagem feita por um filho e um pai pela estrada Santarém-Cuiabá. 

- Belterra ainda é lembrada com cidade brasileira do Estado do Pará, todavia de forte influência do modelo americano, hoje com vinte mil habitantes, pertencente à Mesorregião do Baixo Amazonas, particularmente rica em terra preta, adequada à plantação de seringueiras, às Margens do rio Tapajós, o que permitiria o escoamento da produção à época - hoje - o que diz Belterra - em uma passagem do livro, "são as fábricas de beneficiamento de madeira que ocupam o espaço das seringueiras" diz o pai do narrador-personagem, ele mesmo, o escritor Nicodemos Sena.





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