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ÁGUA NUA


Semente  -  em tua boca há tanto prazer que é preciso esconder-me nas paredes. Lá há mais língua ainda, até mais aonde a língua leva.
É preciso descascar e beber da sementeira viva e sempre da tua voz.
Sou prisioneiro desta cegueira. Navegar em teu corpo é a precisão do timoneiro temeroso ainda que a tormenta seja a água e a escrita: a forma de civilizar o corpo. Civilização é o que se escreve do corpo. Há mais tesão em civilizar que o corpo acaba por ser uma página, um livro, uma leitura. Nada destrói o desejo que lateja o corpo que mente ao coração e perverte a razão. Há mais fábulas num ato que desconhece a ficção. A imaginação criou-se para o prazer como o ato criou-nos para ser além do ser.
Abra os olhos que o amor fala de ti, fala da árvore e de mim.
Abra os olhos que o amor fala de nós, e daqueles que virão depois da tua distância.
Abra os olhos que o amor
fala de mim
e de ti
e só.



Benilton Cruz, Aedeus, inédito
Foto: Judy Garland, Andy Warhol

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